
Chamado, dons e propósito
Muito se ouve a respeito de um chamado de Deus, mas como conhecer este chamado?
Seria algo relacionado com os dons e talentos que recebemos de Deus? Falaremos da forte ligação que há entre os nossos dons e o chamado de Deus.
Fundamento
Mesmo antes de existirmos, Deus já havia estabelecido um propósito específico para cada um de nós (Sl 139.16, Ef 1.4). E, durante nossas vidas, há um determinado momento em que Ele nos chama para viver este propósito (Gl 1.15, 2Co 6.2, 1Co 1.9).
Através da pregação do Evangelho, nós, que estávamos separados de Deus (Ef 4.17-18) e condenados ao inferno (Jo 3.18), somos convidados para a reconciliação e salvação que há em Jesus Cristo (Rm 3.24, 2Tm 2.10, 1Ts 5.9). Por isso e para isso fomos chamados (2Co 5.18-21, Mt 4.18-20).
Quando aceitamos esse convite, espiritualmente, nascemos de novo (Jo 1.12-13). Sendo assim, todo novo convertido é como uma criança (1Co 3.1-2), iniciando um processo de crescimento até atingir a maturidade espiritual (Ef 4.13-14).
A nova vida
Uma das características mais importantes desta nova vida é a total dependência de Deus (1Pe 2.2-3). Assim como um recém-nascido depende do cuidado e da provisão dos pais (Is 49.15), ao nascermos de novo precisamos confiar que, em Deus e na sua Palavra, temos tudo o que é preciso (Cl 2.6-7, Mt 4.4).
Mesmo assim, ainda será difícil discernir o certo do errado (Hb 5.13-14), pois a verdade bíblica substituirá aos poucos os conceitos errados que adquirimos durante toda nossa vida (Cl 3.1-14). Trata-se de um tempo onde, normalmente, teremos que renunciar muitas coisas (2Tm 2.4, 1Co 7.22).
O caminho da maturidade
Passar por essa fase é fundamental para se alcançar a maturidade (Tg 1.2-4, Rm 8.16-17). É o tempo em que desenvolvemos humildade, paciência, perseverança, fidelidade e, sobretudo, obediência (Rm 5.3-5, Rm 1.5-6). Principalmente pelo fato de que poucos reconhecerão o valor do que estamos fazendo (Mc 10.43-45).
Mateus 25.23
Ser fiel no pouco, para ser colocado sobre o muito.
Foi assim com os grandes homens de Deus
Antes de governar o Egito, passou anos cuidando da administração de uma casa e de uma prisão, quando ainda era escravo e prisioneiro (Gn 39.3-4, 20-23).
Mesmo já sendo sábio e poderoso (At 7.22), passou quarenta anos no deserto apascentando ovelhas (Êx 3.1-2, At 7.30), antes de libertar o povo e conduzi-lo à Terra Prometida (At 7.33-36).
Antes de se tornar rei em Israel, liderou e cuidou de homens endividados (1Sm 22.1-2), que não tinham nada de valor para lhe oferecer.
Todos eles puderam identificar e desenvolver o dom que receberam de Deus, antes de atuar no chamado. E, em nossas vidas, guardadas as devidas proporções, Deus faz da mesma forma (Rm 15.4-5).
Romanos 12.6-8
Com o tempo, todo aquele que está em Cristo perceberá que recebeu de Deus um dom (Ef 4.8), que fluirá de forma natural, através da ação do Espírito Santo (Fp 2.13).
Apesar de nos depararmos com diferentes listas de dons ao longo do Novo Testamento (1Co 12.28), sejam eles espirituais (1Co 12.8-11) ou ministeriais (Ef 4.10-12), é no livro de Romanos (Rm 12.6-8) que encontramos os dons responsáveis por impulsionar nosso chamado, conhecidos como dons motivacionais.
Dons motivacionais · 01 de 07
Propheteia (προφητεία)
Capacitação dada por Deus para revelar sua direção e seus propósitos. É o dom que identifica o erro, alerta sobre suas consequências e traz o direcionamento correto (Ap 2.4-5). Edifica, exorta e consola (1Co 14.3).
Está tanto na constância com que recebemos a direção de Deus para entregar determinada mensagem (1Co 13.9), quanto no resultado causado por essa instrução, quando colocada em prática (Mt 7.20).
Não deixar que a eloquência ou a sabedoria se tornem motivo de orgulho (Rm 12.16). Lembrar sempre que o poder de persuasão não está em métodos próprios, mas na ação sobrenatural do Espírito Santo (Jo 16.8).
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Diakonia (διακονία)
Habilidade em dar atenção e suprir as necessidades da igreja. Concentra seus esforços em tarefas organizacionais, no cuidado com as pessoas e na assistência às famílias (At 6.1-7).
A alegria ao executar tais tarefas (1Tm 6.6), a facilidade para descobrir necessidades das pessoas e da igreja (Tg 2.15-16) e a percepção de que, na maioria das vezes, se fez exatamente o que precisava ser feito (1Tm 3.13).
Não se vangloriar das obras (Mt 6.1) nem se ressentir com a falta de reconhecimento (Fp 2.14-15). Também não ignorar a necessidade de leitura e estudo da Palavra (2Tm 2.15).
Dons motivacionais · 03 de 07
Didasko (διδάσκω)
Habilidade em pesquisar, organizar e ensinar a Palavra de Deus de forma clara, didática e compreensível (Tt 2.1-10), explicando seu significado, seu contexto e, principalmente, sua aplicação na vida das pessoas (Ed 7.10, Mt 28.20).
Conseguir explicar algo com certa facilidade, mesmo tendo tido dificuldade em aprender (Hb 5.11-12); e perceber a ação de Deus em todo o processo, desde a preparação e o estudo até o momento do ensino (Jo 14.26, 1Co 2.12-13).
Não se orgulhar do conhecimento (Rm 12.4, Pv 11.2) nem achar que já sabe o suficiente (Rm 11.33). Também não se sentir intimidado ao ser contrariado ou confrontado (2Tm 4.3-4, 1Tm 4.11-12, Tt 1.9).
Dons motivacionais · 04 de 07
Parakaleo (παρακαλέω)
É o dom que motiva e traz ânimo aos que passam por tribulações (2Co 7.6-7). Conduz pacientemente as pessoas através das dificuldades, para que amadureçam espiritualmente ao invés de desistirem (Rm 15.1-2, 1Ts 5.14).
Forte desejo de auxiliar pessoas em adversidades (At 14.22); alta disposição para um relacionamento individual e mais próximo (At 11.25-26); e ser constantemente procurado por pessoas em busca de aconselhamento.
Não considerar o crescimento espiritual de alguém como mérito próprio (2Co 3.5), nem se frustrar quando ele não acontece (1Co 3.6-8). Jamais permitir que alguém se torne dependente de seus conselhos e abandone a busca pessoal pela direção de Deus (1Co 3.4-5).
Dons motivacionais · 05 de 07
Metadidomi (μεταδίδωμι)
Habilidade espiritual para identificar e suprir necessidades financeiras de pessoas, grupos ou instituições que atuam na pregação e expansão do Evangelho (Pv 11.24-25).
Não contribui por constrangimento ou para ser reconhecido, mas de forma espontânea e reservada (2Co 9.7). Sente-se movido a contribuir não com o que sobra, mas com valores e bens que lhe seriam de grande utilidade (1Jo 3.16-18).
Não ser guiado pela emoção (Jr 17.9) e buscar sabedoria em Deus para discernir reais necessidades (Tg 1.5). Afinal, nem sempre quem passa por adversidades precisa de recursos financeiros (At 3.6).
Dons motivacionais · 06 de 07
Proistemi (προίστημι)
Habilidade em coordenar, administrar e auxiliar um grupo a perceber e realizar um propósito de Deus. Mobiliza e motiva pessoas a alcançar determinado objetivo através do trabalho em equipe (Êx 18.17-26).
A capacidade de perceber necessidades organizacionais e encontrar soluções (Tt 1.5); a facilidade em reconhecer qualidades nas pessoas e delegar tarefas (2Tm 2.2); e o fato de ser naturalmente reconhecido como líder (Js 4.14).
Não se aproveitar das pessoas em benefício próprio (Hb 13.17) e não se considerar mais importante que os outros por causa da capacidade de liderança (1Co 12.21-23, Pv 16.18).
Dons motivacionais · 07 de 07
Eleeo (ἐλεέω)
Capacidade de expressar compaixão e interesse pelos sentimentos dos outros (1Co 12.26). Alguém que proporciona apoio e conforto aos que passam por momentos de dor, física ou emocional (Lc 22.42-44).
A alegria com que se exerce o ministério (Fp 4.4-5), a habilidade de sentir a dor do próximo (Rm 12.15) e a naturalidade com que se visita ou acompanha pessoas em hospitais, casas de recuperação, prisões ou funerais (Mt 25.37-39).
Jamais exigir que outros tenham a mesma sensibilidade, nem se indignar com aqueles que parecem indiferentes ao sofrimento alheio (Mt 7.1-2).
Discernimento
Identificar qual é o nosso dom, definitivamente, não é uma tarefa fácil. Pode parecer que temos mais do que um, ou nenhum, ou que precisamos de todos. Na maioria das vezes é preciso tempo e dedicação em vários dons (Gl 6.9-10), para perceber qual deles prevalece sobre os demais, com a testificação do Espírito Santo (Fp 1.9-11).
É óbvio que não iremos deixar de visitar pessoas em hospitais, aconselhar ou assumir posições de liderança, simplesmente porque “não possuímos o dom” (Rm 12.9-18). O dom é uma habilidade para desempenhar determinada função, e não uma desculpa para não desempenhar outras (Tg 4.17). Por vezes, seremos encorajados por Deus para atuar fora do nosso dom, e ainda assim dentro daquilo que fomos chamados para fazer (Tg 1.21-27).
Corpo de Cristo
O chamado de Deus para nossas vidas jamais será uma missão individual, dependendo apenas de um único dom (1Co 12.27). Afinal, estamos ligados uns aos outros como membros do Corpo de Cristo (Rm 12.4-5).
Entretanto, identificar nosso dom abre o caminho para conhecermos o chamado de Deus (2Pe 1.5-11), nos faz compreender melhor a importância de pessoas que atuam em diferentes dons (1Co 12.21-26) e tira o peso que carregamos por não gostar ou não realizar bem determinadas funções (Mt 11.28-30).
Toda recompensa eterna terá sempre como base aquilo que faremos com o que nos foi confiado (Mt 25.14-30). Não é pelo tempo de igreja, tamanho de ministério ou quantidade de vidas alcançadas (Mt 7.21-23), mas pela dedicação em cumprir o chamado de Deus, a partir do dia em que Ele nos chamou (Mc 16.15, Mt 20.1-26, 1Co 15.58, Rm 8.28).

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É o começo.
Descobrir o chamado não é a linha de chegada, é o início de uma jornada de desenvolvimento.
Um propósito descoberto e não desenvolvido vira só uma boa lembrança.
O problema nunca foi falta de amor a Deus e à sua obra,
mas a falta de um caminho.
Amam a Deus, leem a Bíblia, querem servir, mas nunca aprenderam um método eficiente.
Insegurança ao ensinar ou compartilhar o que estudam.
Medo de ensinar algo errado.
Dependência constante de outras pessoas pra entender as Escrituras.
Sensação de estagnação espiritual.
Falta de suporte ministerial e de oportunidade pra servir.
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